Acidente Voepass: depoimentos revelam que ex-diretores tentaram transferir responsabilidade sobre manutenção de aviões

  • 05/11/2026
(Foto: Reprodução)
Justiça torna réus 12 denunciados por queda de avião da Voepass que matou 62 pessoas Em depoimentos à Polícia Federal (PF) de Campinas (SP), os ex-diretores da Voepass na época do acidente aéreo em Vinhedo (SP) Marcel Sarquis Moura e Carlos Alberto Costa tentaram transferir responsabilidade sobre as manutenções dos aviões. Ambos são réus na ação judicial que apura crimes relacionados ao desastre. O g1 teve acesso aos documentos nesta quarta-feira (4), após a Justiça levantar o sigilo do processo nesta semana. Marcel alegou que a incumbência seria do piloto-chefe Raphael Limongi — também réu na ação judicial. Segundo o ex-diretor de operações, a função dele não era necessariamente habilitada para responder tecnicamente pelas aeronaves, enquanto a de Limongi, seria. "Tempo antes do acidente, isso foi desmembrado, e o Limongi passou a uma diretoria — não requerida pela Anac, mas uma diretoria estrutural da empresa — onde assumiu a parte do Centro de Controle de Operações", declarou à PF, em maio de 2026. LEIA TAMBÉM: Exclusivo: conversa entre comissária e mecânico réu por queda da Voepass revela preocupação com aviões 21 meses antes do acidente À esquerda, Marcel Sarquis Moura, ex-diretor de operações; à direita, Carlos Alberto Costa, ex-diretor de manutenção Reprodução Por sua vez, Carlos, que era diretor de manutenção, afirmou que tinha influência no Centro de Controle de Manutenção quando entrou na companhia. Porém, antes do acidente, a estrutura teria passado a fazer parte do Centro de Controle de Operações (CCO). Com isso, Marcel teria assumido a responsabilidade dos consertos dos aviões. "Particularmente, fiquei chateado, porque perdi essa área. O MCC é o Centro de Controle da Manutenção. Ele foi para debaixo do [Marcel] Moura, e o Juliano também passou para debaixo do Moura", contou o ex-diretor, no depoimento de agosto de 2026. Juliano Flores Pacheco também é réu no processo e atuava como gerente do Centro de Controle de Manutenção, sendo o superior direto dos mecânicos de pista. Mesmo com sua licença de mecânico cassada pela Agência Nacional da Aviação Civil (Anac) desde 2022 por irregularidades técnicas, ele continuava na chefia do setor. Apesar do "jogo de empurra", a PF destacou, no relatório final, que "o organograma e o Manual Geral de Operações definem que o diretor de operações deve assegurar que a operação das aeronaves seja conduzida conforme suas limitações técnicas" — portanto, a responsabilidade seria de Marcel. O delegado André Ribeiro, na ocasião do indiciamento de integrantes da Voepass, afirmou que Marcel havia sido informado de ocorrências semelhantes à do voo acidentado meses antes e não adotou providências que impedissem a repetição dos riscos. "Ele era ciente dos problemas que haviam com o equipamento de gelo. Não tomou nenhuma ação. Onze meses depois continuavam os mesmos problemas na mesma aeronave", comentou. Em nota, a Voepass disse que seguirá colaborando com o Poder Judiciário e com as demais autoridades competentes, fornecendo os documentos e as informações que forem solicitadas ao longo do processo dentro dos autos. A companhia também reiterou "seu respeito às autoridades e sua solidariedade aos familiares das vítimas do voo 2283". "Ao longo de mais de três décadas de atuação na aviação brasileira, a Voepass manteve a segurança operacional como princípio fundamental, com procedimentos de manutenção, operação e treinamento orientados pela regulamentação aeronáutica e por suas diretrizes internas de segurança e conformidade", finalizou. Ex-diretores negam orientação para não reportar problemas Perícia encontrou falhas não reportadas em avião durante voos anteriores Ainda durante o depoimento, Marcel negou que os pilotos eram orientados a não reportar falhas. Ele afirmou que o fato de não haver qualquer relato de problema na ida do voo a Cascavel (PR) fez com que o CCO não orientasse medidas cautelares — como mudança da altura do voo — na volta. "O CCO depende desse feedback. Se não há o feedback, segue todo o planejamento normal e o CCO olha para o estado do avião", afirmou. Já Carlos disse à polícia que nunca houve por parte dele ou do CCO uma orientação aos pilotos como "não reporte, enrole, empurre com a barriga" sobre os problemas das aeronaves da Voepass. "Nunca, jamais. Agora, se algum piloto ou mecânico eventualmente deixou de reportar algo — doutor, não vou afirmar que sim, nem que não —, se há provas e evidências nesse sentido, o que posso afirmar é que isso nunca foi, de forma alguma, uma orientação da empresa", refutou o ex-diretor. "Você tem que reportar, porque na aviação há uma máxima: o mecânico não coloca a mão no avião se não houver um documento respaldando aquilo, e, a partir do momento em que ele para de colocar a mão no avião, ele tem que reportar em algum lugar", completou. No relatório final, PF rejeitou as tentativas de eximir a gestão de culpa ou de isolar a responsabilidade na ponta final da operação. O relatório concluiu que o acidente foi resultado de uma "cultura de não reporte" e de uma gestão que priorizava a frota voando em detrimento da segurança. "O despachante John Viana revelou à Polícia Federal a existência de um grupo de WhatsApp integrado por Felício, William Agatz, Eric Cônsoli e Limongi, no qual a diretoria frequentemente pressionava o setor operacional sugerindo 'segurar essa liberação', orientando que panes fossem omitidas e só reportadas quando a aeronave retornasse à base principal de Ribeirão Preto", afirmou. Escombros de avião em Vinhedo (SP) neste sábado, dia 10 de agosto de 2024 Nelson Almeida/AFP Os denunciados Entre os réus estão integrantes da alta administração da Voepass que ocupavam cargos de direção e chefia na época do acidente. Dois funcionários que, segundo o MPF, tiveram participação direta nos fatos que levaram à queda também respondem pelos crimes. Veja a lista abaixo: Marcos Hiroyuki Sato (despachante de voo, responsável pelo voo 2283) Alex de Souza Leandro (mecânico) William Schmidt Agatz (gerente do Centro de Controle Operacional) Juliano Flores Pacheco (gerente do Centro de Controle de Manutenção) Raphael Limongi de Figueiredo (chefe do Centro de Controle Operacional) Marcel Sarquis Moura (diretor de Operações) Tiago Passucci Morani (inspetor-chefe e gerente de engenharia) Carlos Alberto Costa (diretor de manutenção) Eric Consoli (diretor técnico) Rafael Gimenez Rodrigues (piloto-chefe) David da Costa Faria Neto (diretor de Segurança Operacional) José Luiz Felício Filho (dono da Voepass) Outras quatro pessoas indiciadas pela Polícia Federal firmaram acordos de não persecução penal e, por isso, não foram incluídas na denúncia. Arte mostra quem são os 12 réus após queda do voo 2283 em Vinhedo (SP). Arte/g1 Relembre o acidente O acidente aconteceu em 9 de agosto de 2024. O ATR 72-500, matrícula PS-VPB, fazia o voo entre Cascavel (PR) e o Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP) quando caiu no quintal de uma casa em um condomínio de Vinhedo (SP). As 62 pessoas a bordo, incluindo 58 passageiros e quatro tripulantes, morreram. Nenhum morador da residência atingida ficou ferido. Foi o acidente mais grave da aviação brasileira desde o desastre com o voo da TAM, em 2007. O que disse a Voepass "A VOEPASS entende que, com o recebimento da denúncia pela Justiça Federal, o processo seguirá os trâmites previstos em lei, assegurando às partes envolvidas. A companhia seguirá colaborando com o Poder Judiciário e com as demais autoridades competentes, fornecendo os documentos e as informações que forem solicitadas ao longo do processo. Ao longo de mais de três décadas de atuação na aviação brasileira, a VOEPASS manteve a segurança operacional como princípio fundamental, com procedimentos de manutenção, operação e treinamento orientados pela regulamentação aeronáutica e por suas diretrizes internas de segurança e conformidade. A defesa de José Luiz Felício Filho informa que tomou conhecimento do recebimento, pela Justiça Federal, da denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal e que se manifestará nos autos, no momento adequado, exercendo plenamente as garantias constitucionais do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal. À época do acidente com o voo 2283, Felício integrava o Conselho da VOEPASS e estava afastado da gestão direta e cotidiana da operação, tendo retomado a gestão executiva após o acidente. Felício tem colaborado com as autoridades desde o início das apurações e seguirá à disposição da Justiça para contribuir com o completo esclarecimento dos fatos. O executivo mantém sua confiança no devido processo legal e reitera seu respeito às autoridades e sua solidariedade aos familiares das vítimas do voo 2283." Infográfico - Como era o avião que caiu em Vinhedo Arte g1 VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias da região no g1 Campinas

FONTE: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2026/11/05/voepass-depoimentos-revelam-ex-diretores-tentaram-transferir-responsabilidade-manutencao-avioes.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Peça Sua Música

Top 5

top1
1. ficha limpa

Gusttavo Lima

top2
2. MORENA

LUAN SANTANA

top3
3. Só de sacanagem

Israel e Rodolfo

top4
4. beggin

Maneskin

top5
5. HOLLYWOOD

Dilsinho e Bianca Andrade

Anunciantes